A Tensão Pré-Menstrual (TPM) afeta cerca de 80% das mulheres em idade fértil, e apesar de ser frequentemente subestimada, seus sintomas têm base orgânica, neurológica e hormonal. A TPM não é apenas uma fase de sensibilidade emocional ou irritabilidade. Ela é marcada por um desequilíbrio hormonal súbito, em especial a queda brusca da progesterona, o que pode ser entendido como uma verdadeira abstinência hormonal.
Um dos sintomas mais relatados nesse período é a vontade intensa de comer doces. E a ciência já tem respostas para isso.
O que é a TPM do ponto de vista hormonal?
Fase lútea e a queda dos hormônios
Após a ovulação, o corpo entra na chamada fase lútea, caracterizada por uma elevação na produção de progesterona, que tem função de preparar o corpo para uma possível gravidez. Caso não haja fecundação, os níveis de progesterona caem drasticamente nos dias que antecedem a menstruação.
Essa queda hormonal repentina afeta neurotransmissores importantes, como a serotonina e o GABA, responsáveis pelo humor, apetite, sono e controle emocional.
Abstinência de progesterona: um conceito pouco abordado, mas real
A progesterona é um hormônio calmante. Ela age no sistema nervoso central como um modulador GABAérgico, o que significa que tem efeitos semelhantes aos de ansiolíticos naturais: acalma, melhora o sono e estabiliza o humor.
Quando seus níveis despencam de forma abrupta, como ocorre na TPM, o corpo entra em um estado semelhante ao de abstinência de substância psicoativa.
Isso pode explicar sintomas como:
- Irritabilidade e ansiedade
- Labilidade emocional (choro fácil)
- Confusão mental e sensação de desconexão
- Desejo compulsivo por alimentos reconfortantes
Por que temos tanta vontade de comer doce na TPM?
A resposta está na complexa interação entre hormônios, neurotransmissores e comportamento alimentar.
Serotonina em queda
A queda da progesterona afeta diretamente os níveis de serotonina, neurotransmissor responsável pelo bem-estar. O cérebro, em busca de compensação, ativa o sistema de recompensa, e é aí que entram os carboidratos simples (doces).
Quando ingerimos açúcar, há um aumento rápido de serotonina, gerando uma sensação temporária de alívio e prazer.
Dopamina e o sistema de recompensa
Além da serotonina, o açúcar também ativa a liberação de dopamina, neurotransmissor do prazer e da motivação. A curto prazo, comer um doce durante a TPM pode realmente aliviar os sintomas — mas esse alívio é temporário e pode vir seguido de:
- Queda brusca da glicemia
- Sensação de cansaço ou irritação
- Mais vontade de comer (efeito rebote)
Retenção de líquidos e inchaço: por que acontecem?
Durante a TPM, há um desequilíbrio entre estrogênio e progesterona, favorecendo a retenção de sódio nos tecidos. Isso faz com que o corpo acumule líquidos — principalmente no abdômen, mamas, face e membros inferiores.
Além disso, a queda da progesterona reduz a eficiência da drenagem linfática, resultando em inchaço visível no rosto (sobretudo ao acordar), além de sensação de barriga distendida e peso corporal aumentado.
O que comer para aliviar a TPM sem exagerar nos doces?
Sim, doces aliviam temporariamente, mas existem alimentos naturais que fazem o mesmo efeito — e de forma mais sustentável.
Combinação funcional: banana + cacau + canela
Essa combinação é altamente recomendada para o período pré-menstrual:
- Banana: rica em triptofano e vitamina B6, aumenta a produção natural de serotonina.
- Cacau 100%: fonte de magnésio e compostos bioativos que aliviam a irritabilidade.
- Canela: ajuda a controlar o açúcar no sangue e possui ação anti-inflamatória.
Essa opção oferece energia, alívio emocional e nutrição sem causar os picos e quedas glicêmicas dos doces industrializados.
Estratégias naturais para equilibrar a TPM
Além da alimentação, algumas estratégias complementares têm eficácia comprovada:
- Suplementação de magnésio e vitamina B6
- Atividade física leve, como caminhadas ou yoga
- Evitar cafeína, álcool e alimentos ultraprocessados
- Sono regulado e exposição à luz solar pela manhã
- Chás calmantes: camomila, erva-doce, lavanda
Quando a TPM se torna uma síndrome mais grave?
Se os sintomas forem intensos a ponto de interferirem nas atividades diárias, é possível que se trate de TDPM (Transtorno Disfórico Pré-Menstrual), uma condição clínica mais severa que exige avaliação profissional.
O seu corpo está falando com você
A TPM é uma manifestação clara do corpo diante de mudanças hormonais intensas, em especial da queda abrupta da progesterona. Entender esse processo como uma espécie de abstinência hormonal muda a forma como lidamos com ele.
Ao invés de tratar a TPM como um problema isolado, é mais eficaz olhar para ela como um sinal de desequilíbrio interno que pode ser tratado com nutrição consciente, suporte emocional e estratégias naturais.
Bibliografia
Harvard Health Publishing. Premenstrual Syndrome (PMS). Acesso em julho de 2025.
🔗 https://www.health.harvard.edu/newsletter_article/premenstrual-syndromeNational Institutes of Health. Sugar consumption and mood disorders.
🔗 https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6363527/Johns Hopkins Medicine. PMS Symptoms and Management.
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